Clube To Beer

Month: janeiro 2016

- por em Crônicas 1

Ode à piriguete

Por Victor Uchôa

Tinha iniciado relato bem pessoal sobre um episódio relacionado à cerveja, ia citar até um rótulo artesanal. Sério, não é engodo de quem não sabe pra onde ir no texto, é confissão mesmo – já havia seis linhas prontas.

Ocorre que a editora derramou sobre mim aquilo que, certa vez, ouvi falar nos bancos da academia. Chama-se critérios de noticiabilidade. “Esse mês, você pode escrever sobre cervejas e festas populares”, sugeriu ela, fermentada de razão.

De que adianta vir aqui cheio de aleotria subjetiva se é verão lá fora, com Bonfim, Iemanjá, Boa Viagem, Carnaval e até a Lavagem do Beco rondando nosso juízo? Para além de qualquer gosto rebuscado, a verdade que salva e liberta é uma só: na hora que o pau come na rua e o corpo incandesce, qualquer cerveja salva.

Não por acaso, as piriguetes causaram tanta comoção quando surgiram no mercado. Pequeninas, gelam mais rápido, podem ser superadas com três ou quatro goles e, em tempos de caos nas grandes cidades, facilitam bastante a mobilidade urbana.

Alguém dirá que, devido ao apelo popular, nenhuma piriguete faz jus ao bom entendedor, pra quem meio gole já basta. No debate, outro gritará entre risos que não existe cerveja ruim, existe cerveja quente. Um ponderado argumentará que, a partir da quarta latinha, fica tudo igual.

A tudo observo ao lado do meu isopor predileto. Palitos de churrasquinho fazem vezes de cabide e exibem piriguetes diversas. Na mão de quem vende, a piriguete vira chocalho e atrai a atenção de quem passa. Multiuso.

O bom entendedor pode até afirmar que as piriguetes só mostram sua autêntica faceta no dia seguinte, quando o intestino resmunga. Não deixa de ser verdade, mas ninguém pensa nisso quando procura assunto com aquela garota ou aquele cara que obviamente vai gerar problema no dia seguinte (ou nos anos seguintes). De novo aquela história: quando o corpo incandesce…

Feito o manifesto, vamos voltar ao jornalismo e concluir com a pergunta que realmente importa nestes tempos de festa na rua: “É três por cinco né, pai?”.

- por em Crônicas, Novidades 0

Sobre dores e goladas crônicas

Por Victor Uchôa

Fui pego de surpresa com o pedido de uma crônica sobre cerveja. Mas a surpresa, observe, não mora em ter que discorrer sobre tão querida matéria. A surpresa está em pedirem uma crônica a mim, que de crônica só entendo da dor no calcanhar esquerdo que me acompanha há anos.

Disseram que o texto vai embalado num kit com cervejas artesanais, algumas tipo importação, negócio pra quem entende tecnicamente do negócio. Nada entendo do negócio, mas pra não sair de bobo, rememoro uns rótulos provados batendo perna por aí. Vai que um dia chegam no kit!

Indo e vindo, criei a categoria Goles em Trânsito, em que as cervejas se encaixam mais pelo contexto do que por premiações. Assim, vale citar a Estrella Galicia, que matou a sede na chegada a Santiago de Compostela, e a Tagus, degustada num entardecer do Algarve. Impossível lembrar todos os experimentos londrinos, mas ainda trago na mente as britânicas Carling e John Smiths – what a night!

Naquelas bandas, testemunhei imensas discussões sobre qual seria a melhor cerveja do planeta, sempre com referências à belga Leffe e à irlandesa Guinness. Muito boas, verdade, mas nada perto das alemãs Erdinger e Franziskaner, ambas de trigo – e o copo Erdinger é o mais legal da minha prateleira.

Mais pra cá do mundo, goles igualmente inesquecíveis: um brinde com a Cusqueña após quatro dias no passo até Machu Picchu, outro com a Austral na aridez do Atacama e, recentemente, tim-tim com a Patagônia roja depois de alcançar, literalmente, o Fim do Mundo.

Mas pra que servem tantos goles em trânsito? Pra tirar do copo uma certeza: nada se compara a brindar perto de casa, cercado de amigos. É onde posso dizer em bom tom: “Ô, Vitória (ou as variantes “Minha Pedra” e “Sacanagem”), traga a que você guardou pra você. Cu de foca!”. Então, bebo alguns goles enquanto vejo o sol mergulhar na baía. Ah, e se a sorte me premiar, com um grande amor massageando meu calcanhar.

- por em Mestre Cervejeiro 0

A paixão pelo lúpulo

Por Camila Jasmin

Membro honorário da família Cannabaceae – sim, exatamente isso que você pensou: ele é tipo um primo da maconha -, o lúpulo não bate onda. Ou melhor, até bate, mas em doses, digamos, mais homeopáticas. Ingrediente indispensável de qualquer boa cerveja (ok; até das de caráter duvidoso), é ele quem confere o “doce” amargor da bebida, além de contribuir com o seu aroma. E só melhora: a flor do lúpulo (que meigo!) possui antioxidantes naturais e, portanto, pode funcionar como aliado da sua saúde!

Calma; a gente não vai profetizar aqui que beber faz bem. Tampouco que faz mal. Mas, pra não ficar em cima do muro, acho bem válido e justo – até digno, por que não? – afirmar que, quando consumida rodeada por bons motivos e amigos do peito, a cerveja é, sim, uma irmã camarada. E, quando se trata de cerveja artesanal feita na medida certa, o lúpulo merece ser apreciado com todo respeito e moderação. Um verdadeiro brinde ao sentido do sabor, diretamente no palato!

Por funcionar como conservante natural, o lúpulo é elemento indispensável para manter a nobreza
da cerveja, preservando as suas qualidades por mais tempo. Sua aplicabilidade (você pode usar essa palavra numa mesa de bar; funciona como ótimo “trava-língua”!) vai além do conservante. Quando adicionado diretamente ao barril de cerveja, após a fermentação, o lúpulo se torna uma espécie de condimento, conferindo mais intensidade e uma “fragrância” bem característica. É quando surge
a saborosa e encorpada Índia Pale Ale, assunto pra próxima rodada.

- por em Harmonizações, Livia Curi 0

Cerveja para todas as estações

Por Lívia Curi

Quando o assunto é cerveja, as discursões são das mais acaloradas e no verão não poderia ser diferente. Em qualquer ocasião, fique à vontade para escolher o tipo de cerveja que combina com seu o momento e com o seu gosto. E para começar, vamos propor receitas de verão que podem
ser harmonizadas com as cervejas Tupiniquim que são a estrela da caixa nesta edição do Clube to Beer.

310ml_WeissA Tupiniquim Weiss é uma cerveja de trigo elaborada com matérias-primas selecionadas. Tem aroma agradável de frutas, um sabor equilibrado entre o dulçor leve do malte e notas suaves de bananas e cravos. Ideal para harmonizar com um delicioso e versátil coquetel de camarão.

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COQUETEL DE CAMARÃO
ao molho cítrico.

Ingredientes para 4 pessoas:
400g de camarões médios limpos
1 abacate médio firme
10 morangos grandes
3 limões
1 cebola pequena
½ pé de acelga
Coentro
Azeite extra virgem a gosto
Pimenta-do-reino preta moída na hora a gosto
Sal a gosto

Corte a acelga em tiras e reserve. Corte o abacate em cubos e reserve, Corte o morango em cubos e reserve.
Tempere com camarões com sal e pimenta-do-reino, em seguida refolgue em uma saltese com azeite extra virgem rapidamente até ficar rosa e reserve.

Faça o molho: Esprema os limões e coloque coentro picado, sal e pimenta-do-reino a gosto, misture e reserve.

Para montar é só intercalar camadas de todos os ingredientes e regar com o molho. Além de linda e refrescante, esse coquetel de camarão fica perfeito com a Weiis.

Livia Curi

Livia Curi é Sommelier Profissional da Wine Senses e gastrônoma pela UFBA