Clube To Beer

Month: março 2016

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Othomania!

ENTREVISTA

Descubra um poucos dos segredos da Othomania, a cervejaria do mês de abril, com essa entrevista com Stela Patrocínio, Mestre-cervejeira e proprietária.

De onde e como surgiu a ideia da OTHOMANIA?
A ideia de ter uma cervejaria surgiu há aproximadamente 15 anos, quando meu pai, Edson Patrocínio, falecido há 2 anos, pensava em produzir sua própria cerveja, condizente com as receitas tradicionais do mundo e assim expandir seu negócio no ramo cervejeiro. Ele era então presidente do grupo Harmo Darin, fabricante dos equipamentos para cervejarias Mec Bier, hoje líder de mercado. Este projeto ficou engavetado até 2006, quando eu decidi tocá-lo e fui fazer estágio como cervejeira prática juntamente com a Mestre Cervejeira Kátia Jorge. Em 2009 nós resolvemos abrir nossa própria cervejaria, juntamente com o bar da fábrica e demos o nome de Othomania em homenagem à cidade de Pompéia, que quando no início da construção da ferrovia Alta Paulista, tinha o nome de Otomânia, pois as estações ao longo da ferrovia seguiam a ordem alfabética.

FullSizeRenderComo é o trabalho de uma mestre-cervejeira e também dona da cervejaria?
Esta é uma boa pergunta, já que quem observa de fora pensa que o trabalho deve ser somente mil maravilhas, por poder trabalhar o tempo inteiro com cerveja (rsrs). No entanto, não sou somente a Mestre Cervejeira, mas também faço compras, pago contas, faço folha de pagamento, ajudo na área comercial, sou o marketing, atendo telefone, cuido das redes sociais, etc… Realmente é um trabalho longo, que somente quem tem muita paixão pelo que faz, consegue.

Por que seguir a Lei da Pureza?
A ideia de seguir a Lei da Pureza nas nossas cervejas de linha veio do meu pai, para, na época, mostrar que nossos produtos eram realmente puro malte.

No seu modo de ver, como anda o mercado cervejeiro nacional?
O mercado de um modo geral anda em crescimento, mas um crescimento lento perto do potencial, pois travamos ainda principalmente nos altos impostos, além da grande burocracia desnecessária e da crise que estamos passando. Esbarramos também em logística, o que fez crescer o número de cervejarias pequenas, regionais. De qualquer forma, o brasileiro é um povo insistente, e somente por isso, ainda dá pra enxergar um futuro brilhante.

Qual próximo passo de expansão da Othomania?
Para 2016 temos pretensão de crescer pelo menos 20% em volume, tanto em chopp como em garrafa. E teremos lançamento de outra linha de cervejas, mas isso ainda é segredo (rsrs).

 

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Cervejante

ENTREVISTA

Nesse mês batemos um papo com o assinante Rodrigo Caldas, amante de cerveja e Doutor em análise do comportamento humano.

Conte um pouco sobre o que você faz entre uma cerveja e outra.
Adoro uma boa cerveja em muitas situações, em casa com os amigos e família tem sempre um sabor especial, mas na companhia de uma boa leitura uma trapista mostra seu verdadeiro valor. Uma IPA com amigos, hambúrguer, vídeo game e batata frita e a farra tá pronta no primeiro gole. São muitas as circunstâncias na minha vida que uma boa cerveja vem bem a calhar.

A Psicologia explica a paixão por cervejas?
A psicologia, em todas as suas vertentes, sempre teve pesquisadores interessados na explicação das paixões. O que sentimos, pensamos e fazemos quando estamos apaixonados? Essas perguntas geralmente são assuntos de discussões filosóficas e de técnicas terapêuticas, mas também permeiam conversas em um bom boteco. Apesar de nunca ter lido uma pesquisa sobre a paixão por cervejas artesanais, posso imaginar muitas discussões envolvendo paixões e “bebidas alcoólicas”, tanto no que tange a problemas comportamentais, como á práticas de consumo responsável que podem promover mais equilíbrio pessoal entre responsabilidade e lazer, por exemplo.

A Lei da Pureza da Cerveja é do século XVI e ainda há muitos cervejeiros alemães que a seguem. Acha que as leis nascem do desejo humano de se eternizar?
A pergunta realmente intrigante para mim seria quais as causas desse desejo de se eternizar? Mudar o mundo além da sua própria vida é um desejo antigo na história humana, de certa forma esses desejos marcam a cultura humana em tudo que aprendemos com nossos antepassados. Aprender mais com os Duques da Baviera é necessário!

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Agora, a questão é de gosto: você concorda com essa lei ou prefere blends mais variados?

Eu concordo com a lei e com os blends variados, me considero um democrata!

E você, Rodrigo: qual cerveja não sai do seu divã?

Se estar no “meu divã” é estar sob a minha análise todas elas sempre terão lugar nele. As trapistas e as IPAs nem precisariam de permissão para deitar. Agora as muito lupuladas é terapia de graça!

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Não se engane

por Larissa Dantas

 

Quando você entra no supermercado para comprar aquela cervejinha para o fim de semana e se depara com gôndolas lotadas de inúmeras marcas distintas, apesar da maioria ser da mesma dona, e lê no rótulo Pilsen ou Premium, você acredita que ela se trata de uma cerveja do estilo Pilsen. Mas não se engane, cerveja do estilo Pilsen é muito diferente do que a propaganda prega e apesar desta ser a alma do negócio, muitas vezes ela é enganosa.

As cervejas do estilo Pilsen ou Pilsner são de baixa fermentação, ou seja, são cervejas tipo lagers originárias da República Tcheca, da cidade de (adivinhe?) Pilsen, produzido pela primeira vez no longínquo ano de 1842, quando o Brasil Império se via enfrentando as Revoltas Liberais. Foram idealizadas por produtores que buscavam uma cerveja mais límpida e translúcida para serem servidas nos novos copos de cristais da região da Boêmia. Tanto que, com o passar dos anos, a Pilsen foi fabricada em outros países e se transformou em diversos subgrupos (como a German Pilsner e a American Pilsner), mas a original se chama Bohemian Pilsner, em homenagem ao seu local de origem.

Uma cerveja do estilo Pilsen verdadeira apresenta entre 20 e 45 IBUs (unidades de amargor de uma cerveja), é refrescante, tem um aroma rico e o sabor revela um grande equilíbrio entre o malte e o lúpulo, com um amargor perceptível. Sua espuma é branca, densa, cremosa e duradoura.

Como se pode ver, muito longe das brejas das macrocervejarias que possuem, no máximo, 15 IBUs, um baixíssimo amargor, quase nada de aroma, corpo de pouca densidade, quase que insossas e proibidas de serem consumidas se não estiverem “estupidamente geladas” (por que será?).

Porém, não vale demonizar essas brejas, pois todo conhecedor de cervejas especiais/artesanais começou um dia com uma Standard American Lager. Sim, essa é a classificação dessas cervejas, mas duvido que você encontre esse grande nome num rótulo das macrocervejarias, ao menos aqui em terras tupiniquins.

Se quer beber uma standard american larger, tudo bem, mas não se engane: prove uma Pilsen verdadeira e descubra a diferença! Não deixe que o marketing das grandes empresas confunda o seu paladar! Cheers!

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Batom na Caneca

ENTREVISTA

Márcia Esperidião e sua Franziskaner.

Márcia Esperidião e sua Franziskaner.

Dia 8 de março é dia internacional da mulher e o Clube to Beer brinda às nossas cervejeiras nesse bate-papo com a assinante Márcia Esperidião. Mãe, esposa, cervejeira e, antes de tudo, mulher, ela não se priva de celebrar as pequenas e grandes conquistas deixando marca de batom nas canecas.

Clube to Beer: Há registros de que as primeiras cervejas foram fabricadas por mulheres. Faz sentido pra você?

Márcia: Faz muito sentido se pensarmos que a produção era caseira, só acho uma pena que o consumo era predominantemente masculino.

Clube to Beer: E você? Como começou a sua saga no mundo das cervejas artesanais?

Márcia: Eu sou na verdade uma curiosa gastronômica, gosto de provar estilos de comida e bebidas em geral. Então, nunca perco uma oportunidade de provar cervejas diferentes, nem as mais fortes e amargas me intimidam. Toda semana estava buscando um novo rótulo, um tipo diferente de fabricação, percebendo e identificando sabores, frutas, café, chocolate… Quando menos esperei, estava apaixonada pelas cervejas de trigo, suaves e cremosas, para se beber sem pressa, relaxando e curtindo o início dos finais de semana com o marido. Para nós, que temos um filho de cinco anos chamado Bento, lindo e danado, um jantar agradável em casa é uma excelente opção.

Clube to Beer: E hoje, tem alguma preferida?

Márcia: Tenho duas preferidas, a Franziskaner Kristallklar para um dia de sol e a Erdinger para momentos mais tranqüilos.

Clube to Beer: Massa. É a minha preferida também. Hehe… Acha que ainda há preconceito com mulheres cervejeiras?

Márcia: Vivemos em uma sociedade machista, então não posso dizer que não há preconceito. Mesmo assim, acho que a mulher deve se aprofundar nos assuntos que achar interessante, independente do que os outros vão pensar.

Clube to Beer: Muito da publicidade cervejeira é em cima do estereótipo da “mulher gostosa”. Se você fizesse um comercial da sua cerveja preferida, como seria?

Márcia: Acho que nesse mês de março, um comercial finalizando um dia puxado da rotina cansativa de mãe e mulher com um tempinho para uma boa cerveja para relaxar ia ser muito bem aceito.

Clube to Beer: Tin tin a esse comercial imaginário. Abrirei uma cerveja no fim da entrevista! Até porque pesquisadores suecos descobriram que mulheres que bebem até um litro de cerveja por semana, podem ter até 30% menos risco de sofrer um ataque do coração. Você tem protegido seu coração com que tipo de cerveja?

Márcia: Acho que vou ter que duplicar minha assinatura do Clube To Beer! Tenho amado as opções que recebo mensalmente, assim posso conhecer diversas cervejas artesanais seus sabores e histórias. Às vezes faço pedidos extras, com as novas opções que aparecem e rótulos que me impressionaram como Saison Umbu. Para os encontros com amigos vou de Baden Baden, Redale ou Golden, Teresópolis ou Kirin Ichiban que são muito boas e fáceis de encontrar.

Clube to Beer: E nesse dia internacional da mulher, qual cerveja você escolheria para brindar com uma amiga que está querendo entrar nesse universo?

Márcia: Eu estou sempre em contato com Larissa Dantas, pedindo opinião sobre as novidades do Clube e estou muito curiosa para provar as Rochefort 8, Chimay Rouge e La Trappe Tripel. Um dia tão significativo para nós, mulheres, seria uma excelente oportunidade de degustação com as amigas para brindarmos as nossas conquistas sociais, políticas e econômicas.