Clube To Beer

Month: dezembro 2016

- por em Crônicas, Pablo Santiago 0

Grata Surpresa!

por Pablo Santiago

Diferente da última postagem, a de hoje será um tanto breve, o bastante para ficarmos com água, ou melhor dizendo, com o gosto de uma cervejinha especial na boca. Fazendo uma pequena comparação, se o texto da última semana foi tão grande ao ponto de poder virar um filme, podemos dizer que o de hoje seria apenas uma sinopse.

Nessa semana recebi um presente do clube, mais especificamente, ganhei algumas cervejas, que muitos de vocês gostariam de degustar. Posso dizer que fiquei surpreso ao perceber que dentre elas havia uma bela e simpática Brown Ale. A sua apresentação logo me chamou a atenção, e antes mesmo de conhece-la mais a fundo, já sabia que se tratava de algo diferenciado.

Com a sua sintonia cativante e encantadora, o seu aroma e paladar se relacionam em uma mistura de agradáveis sensações e sabores. O seu amargor pode ser percebido de um jeito bastante ameno, não sendo capaz de tirar de seu sabor, o final adocicado, proveniente dos toques achocolatados, amendoados e caramelizados da bebida.

Outra característica bem quista da Brown Ale, é o fato dela ser uma formidável companhia para um dos pratos preferidos dos brasileiros, o churrasco. Por se tratar de uma bebida refrescante e de fácil degustação, ela pode ser consumida em grandes quantidades, fazendo da sua harmonia com a iguaria, ainda mais completa. Carnes grelhadas ou cozidas também se tratam de boas pedidas.

Atendendo diferentes gostos, o mesmo ocorre quando se trata de algumas sobremesas e tipos específicos de queijo, principalmente o gorgonzola, que combina bastante com a proposta da bebida. Castanhas, amendoins e algumas frutas secas também harmonizam com o torrado e o seco dessa sutil e saborosa cerveja.

Como prometido, uma breve postagem. Afinal, pensando em todas possíveis combinações entre pratos e Brown Ale, fica um pouco difícil se concentrar na produção do texto.

- por em Cerveja, Dicas, Mestre Cervejeiro, Pablo Santiago 0

Tradição e mística: os segredos das Trapistas!

por Pablo Santiago

Confesso que foi um pouco difícil escrever sobre o tema de hoje, isso para não dizer que tentei por várias vezes iniciar o texto e não tinha ideia de por onde começar. Tenho que dizer que isso aconteceu pelo fato de ter que mencionar algo que é produzido por pessoas que conseguem ser ao mesmo tempo tão humildes quanto sábias, e que se tornaram referência no que se trata de produção e aprimoramento da cerveja.

Com as suas vidas baseadas no silêncio, renúncia e obediência, os monges vivem reclusos em mosteiros se dedicando ao estudo, trabalho e oração. Esses religiosos conquistaram o merecido destaque no mundo cervejeiro através do seu vasto conhecimento e forma de viver. Seguindo o lema Benedito, “ora et labora”, um dos seus princípios fundamentais que significa reza e trabalha, conheceremos um pouco mais da sua relação com a cerveja.

Pelo propósito que escolhiam viver, em determinadas épocas do ano, os monges passavam por longos períodos de jejum, e sem poderem ingerir algum tipo de comida, apenas beber, o consumo da cerveja era muito comum, por causa das impurezas encontradas na água daquela época. Através de sua dedicação e conhecimento, os bondosos habitantes dos mosteiros conseguiram desenvolver refinadas técnicas na produção da bebida, para que pudessem fazer da mesma uma grande fonte de alimento necessária, o que resultou diretamente num significativo aumento de sua qualidade.

Com o intuito de sustentar os mosteiros, os monges tiveram a iniciativa de produzir e comercializar alguns produtos como pão, mel, carne, queijo, chocolate, cosméticos e até mesmo algumas bebidas, dentre elas, a cerveja. Esta última, que se tornou uma rara preciosidade ganhou o gosto, não só de quatro, mas de todos os cantos do mundo, que queriam conhecer e degustar uma cerveja trapista.

Diferente do que muitos pensam, não existe um estilo de cerveja trapista. O nome surge a partir da Ordem dos Cistercienses da Estrita Observância, que foi fundada em 1662 no mosteiro de Notre-Dame de La Trappe. Com regras muito rígidas e padrões de qualidade especialmente rigorosos, o selo de autenticação da cerveja trapista, se torna uma honraria para quem o possuir.
Como exemplo disso, existem em todo o mundo 171 mosteiros trapistas, mas apenas 11 deles podem reconhecer e comercializar as suas cervejas dessa forma.

As 11 Trapistas

Para que a cerveja seja considerada trapista ela deve seguir as regras da Associação trapista internacional, que visam assegurar a sua autenticidade e altíssima qualidade. A cerveja deve ser fabricada nos mosteiros trapistas pelos próprios monges ou sob supervisão dos mesmos; A cervejaria deve ser subordinada ao mosteiro e deve seguir uma cultura empresarial condizente à vida monástica; A cervejaria deve ser praticamente filantrópica, uma vez que os recursos são para o sustento dos monges e para a preservação da abadia. O que sobra é usado em causas sociais ou doado para pessoas carentes; E a cerveja trapista deve ter uma qualidade impecável, permanentemente sendo controlada.

As cervejas trapistas não são apenas ricas em história, podendo também serem reconhecidas pela riqueza encontrada em suas peculiares características. Cada mosteiro tem as suas técnicas e fórmulas de preparo da bebida, resultando num pequeno, porém diversificado leque de opções da mesma. Geralmente bem encorpada, esta maravilha pode possuir um sabor baseado no amargor que varia entre o leve e o intenso, ou até mesmo, em toques um pouco mais doces e suaves. Sendo muitas vezes apresentada em tons amadeirados, essa excepcional cerveja pode despertar prazerosas sensações por causa da maciez e cremosidade que deixa na boca, assim como traz a leveza através de seus aromas frutados.

Antes de encerrar, preciso agradecer a todos que leram essa postagem aqui, e dizer que apesar de grande, o texto não se tornará um filme. Hahaha.

Experimentem nossas Trapistas aqui!

#HarmonizeAgora #Cheers