Clube To Beer

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Entrevista Kombita!

Entrevista

Márcia Medeiros e Mariana Maltez

Nos encontramos com as meninas da Kombita pra bater um papo e mostrar pra vocês mais uma opção de cervejas artesanais de Salvador.

Clube To Beer – O que é a Kombita?

Meninas da Kombita – Tecnicamente falando, a Kombita é uma Kombi adaptada com 4 torneiras onde servimos, a cada parada, 4 estilos de chopp artesanal diferentes.
Mas pra nós ela representa muito mais. É a realização do sonho de empreender em algo que acreditamos. Nós acreditamos na cultura da cerveja artesanal. A Kombita tem a missão de levar cerveja de verdade para a rua e alcançar o público onde ele estiver sempre com um atendimento carinhoso e uma atmosfera de alegria.

CTB – Qual a rotina pela cidade?

Meninas da Kombita – A nossa rotina é não ter rotina. A cada semana nossa agenda vem com novidades, já estivemos da Ponta de Humaitá a Villas do Atlântico. A idéia é explorar a cidade e levar a cultura cervejeira para o maior número de pessoas. Temos alguns eventos fixos como o ‘Quintas On Tap’ que ocorre na primeira quinta-feira de cada mês no Hostel Barra e também participamos do ‘Adote a Praça’ que ocorre todas as sextas-feiras em praças diferentes da cidade.
A mobilidade é um de nossos pontos fortes, poder estar cada vez em um ambiente diferente é fascinante.

CTB – Março é o mês internacional da mulher. Você acha que o mercado cervejeiro já faz parte da cultura feminina?

Meninas da Kombita – Com certeza! As mulheres sempre estiveram na história da cerveja. Há 4 mil anos os sumérios já tinham uma deusa da cerveja a Ninkasi. No Egito Antigo, as mulheres eram responsáveis pela produção de cerveja, já na Idade Média, muitas européias eram proprietárias e frequentadoras das tabernas.
No dia 8 de março acontece por todo o Brasil (inclusive em Salvador) brassagens coletivas femininas.
Por mais que a mídia tenha estabelecido que cerveja é coisa de homem, nós mulheres estamos aqui reafirmando o contrário seja produzindo, vendendo, estudando, divulgando e, claro, bebendo.

CTB – E o cenário cervejeiro em Salvador, o que podemos esperar?

Meninas da Kombita – É um cenário promissor. As pessoas estão descobrindo novos sabores e exigindo mais qualidade na hora de beber. No último ano o mercado local aqueceu muito, existe um movimento real acontecendo. Já encontramos cerveja artesanal na cidade inteira! Seja em lojas especializadas, bares, restaurantes, beer trucks, delicatessens, feiras gastronômicas e clubes de assinatura.. enfim é um movimento crescente e sem volta. A cerveja artesanal chegou e vai ficar.

#BebaMenosBebaMelhor

Acompanhe as meninas no Instagram – @kombitachopptruck

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Você conhece o Zeppelin?

por Camila Jasmin

1874 – Uma mente, provavelmente inquieta, rascunha o primeiro projeto de um dirigível rígido; uma espécie de balão motorizado e alongado horizontalmente. O projeto só foi patenteado anos mais tarde, em 1895, na Alemanha, e assim batizado em homenagem ao Conde Ferdinand von Zeppelin.6947535583_410aaf3f6a_o
O ano é 1930 e eis que surge, sob o ensolarado céu da Baía de Todos os Santos, o Graf Zeppelin, primeiro dirigível a sobrevoar a soterópolis. O protótipo alemão também foi o primeiro a cruzar a Linha do Equador, inaugurando o tráfego aéreo entre a Europa e a América Latina. Nessa época, as viagens para travessias transatlânticas tornaram-se tão corriqueiras que, dizia-se, era possível acerta o relógio por elas.
E a moda pegou por aqui: nos anos de 1931, 33 e 35, outros dirigíveis deram uma voltinha sob o sol de São Salvador, passeando sobre pontos históricos, como o Farol da Barra, o Elevador Lacerda e a Praça Castro Alves.
1978 – Chico Buarque lança Geni e o Zeppelin, uma história de amor às avessas, na qual uma mulher de pouca classe, enjeitada por toda uma cidade, alvo de pedradas e até mesmo bostas atiradas a esmo, salva a todos com seu suposto charme, percebido apenas pelo comandante de um zeppelin gigante e que estava pronto para transformar a cidade em geleia.
Desde então, ninguém ousou mais mexer com isso. Afinal, Chico é Chico e, após a partida do zeppelin, Geni voltou a ser amaldiçoada, foi xingada, foi cuspida, espancada. Então, o que fazer?! Deixar a mítica sedimentar-se em lenda maldita? Ou devolver, ao Zeppelin, o seu status quo de revolucionário?!
2010 – Imbuídos do mesmo espírito precursor de dois séculos, é criada a WayBeer, numa inusitada ponte aérea Alemanha-Curitiba, inaugurando um novo um trajeto do zeppelin. Para cruzar ares de sabores, sobrevoar cada papila gustativa, aterrissar sobre a língua e repousar na memória afetiva, tornando a travessia inesquecível gole a gole.6947535545_aff76f5301_o
Tal qual o zeppelin gigante de Geni, a WayBeer quer devassar conceitos cervejeiros pré-estabelecidos, ressignificando fórmulas e formas de produção, e enxergando gostosuras onde ninguém mais vê. Assim como os pioneiros do protótipo do dirigível, a WayBeer aposta na inovação e reconhece a sofisticação do cliente: não é a cerveja mais gelada que vale o suposto celibato de Geni, muito menos o respeito do astuto Conde Ferdinand von Zeppelin, mas a mais saborosa, aquela capaz de rebelar paladares.
Então, deixa rolar Chico na vitrola – que é contemporânea do Zeppelin – e embarque nessa viagem por sabores inesperados. Aposte no novo e se permita ser surpreendido.

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Sobre dores e goladas crônicas

Por Victor Uchôa

Fui pego de surpresa com o pedido de uma crônica sobre cerveja. Mas a surpresa, observe, não mora em ter que discorrer sobre tão querida matéria. A surpresa está em pedirem uma crônica a mim, que de crônica só entendo da dor no calcanhar esquerdo que me acompanha há anos.

Disseram que o texto vai embalado num kit com cervejas artesanais, algumas tipo importação, negócio pra quem entende tecnicamente do negócio. Nada entendo do negócio, mas pra não sair de bobo, rememoro uns rótulos provados batendo perna por aí. Vai que um dia chegam no kit!

Indo e vindo, criei a categoria Goles em Trânsito, em que as cervejas se encaixam mais pelo contexto do que por premiações. Assim, vale citar a Estrella Galicia, que matou a sede na chegada a Santiago de Compostela, e a Tagus, degustada num entardecer do Algarve. Impossível lembrar todos os experimentos londrinos, mas ainda trago na mente as britânicas Carling e John Smiths – what a night!

Naquelas bandas, testemunhei imensas discussões sobre qual seria a melhor cerveja do planeta, sempre com referências à belga Leffe e à irlandesa Guinness. Muito boas, verdade, mas nada perto das alemãs Erdinger e Franziskaner, ambas de trigo – e o copo Erdinger é o mais legal da minha prateleira.

Mais pra cá do mundo, goles igualmente inesquecíveis: um brinde com a Cusqueña após quatro dias no passo até Machu Picchu, outro com a Austral na aridez do Atacama e, recentemente, tim-tim com a Patagônia roja depois de alcançar, literalmente, o Fim do Mundo.

Mas pra que servem tantos goles em trânsito? Pra tirar do copo uma certeza: nada se compara a brindar perto de casa, cercado de amigos. É onde posso dizer em bom tom: “Ô, Vitória (ou as variantes “Minha Pedra” e “Sacanagem”), traga a que você guardou pra você. Cu de foca!”. Então, bebo alguns goles enquanto vejo o sol mergulhar na baía. Ah, e se a sorte me premiar, com um grande amor massageando meu calcanhar.