Clube To Beer

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Uma ode às cervejas dos Monges

por Larissa Dantas

Onde religião se mistura com o pão líquido, por mais de quatro séculos, as cervejas produzidas por monges se destacam como as melhores do mundo.
As cervejas trapistas, ao contrário do que se possa imaginar, não são um estilo de cerveja, mas são assim chamadas por serem produzidas dentro de monastérios e fabricadas exclusivamente por monges (ou sob sua supervisão) da ordem religiosa trapista, ramificação beneditina dos Cistercienses, da Igreja Católica, fundada em 1140.
Em 1997, a Associação Trapista Internacional foi fundada por mosteiros trapistas com o intuito de regulamentar o uso do nome “trapista” (“trappist”), atribuindo critérios específicos para fabricação desse tipo de cerveja.
Os critérios para uma cerveja ser considerada trapista são:
• A cerveja deve ser fabricada dentro dos muros de um mosteiro trapista, pelos próprios monges ou sob sua supervisão.
• A cervejaria tem de ser de importância secundária dentro do mosteiro e deve seguir práticas de negócios adequada para o modo de vida monástico.
• A cervejaria não se destina a ser um empreendimento lucrativo. A renda deve cobrir o custo de vida dos monges e a manutenção dos edifícios e terrenos do mosteiro. O que quer que sobre deve ser doado a instituições de caridade para o trabalho social e para o auxílio de pessoas necessitadas. A Trapista Chimay já atingiu um nível de vendas em escala global que envia seus lucros para necessitados na África.
• Cervejarias trapistas são constantemente monitoradas para garantir a qualidade irrepreensível das suas cervejas.

Quando se fala trapista logo vem à mente sabor, qualidade, complexidade e prazer. A maioria das cervejas trapistas são produzidas em monastérios belgas que são uma referência e marca registrada de qualidade no assunto. Para se ter uma ideia, das treze cervejarias com a permissão da associação para produzir cervejas deste tipo, seis se encontram na Bélgica. Dentre as mais famosas cervejas do mundo estão as seis belgas: Chimay, Westmalle, Orval, Rochefort, Achel e Westvleteren (considerada por muitos cervejeiros como a melhor cerveja do mundo e uma das místicas e difíceis de se encontrar).
São cervejas do tipo ale e em sua maioria são blond, dubbel ou trippel, variam muito de coloração e de volume alcóolico (entre 5 e 11%). Possuem um sabor intenso, complexo e, por isso, são bebidas verdadeiramente degustadas, pois devem ser bebidas com moderação para podermos experimentar e saborear todas as suas qualidades.
De fato, existem muitas cervejas especiais, mas com certeza as trapistas são ainda mais especiais e merecem ser conhecidas e bebidas.
Melhor ainda se for com os amigos! Harmonize agora!

Larissa Dantas é Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos pelo Instituto de Cervejas Brasil

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A mistura do bode com cerveja

por Larissa Dantas

Já conhece o estilo Bock e suas derivações Doppelbock, Maibock (ou Hellerbock), Weizenbock e Eisbock?
As chamadas Bockbier foram originalmente produzidas na cidade de Einbeck, na Alemanha. O nome dessas cervejas tem origem em duas teorias. A primeira é a possibilidade de ter ocorrido uma evolução do nome em homenagem à sua cidade origem. As “cervejas da cidade de Einbeck” em alemão seria “Einbeckisches bier” que acabaram tendo tamanho reduzido para Bock Bier. Quase parecido com a versão do português de “vamos em boa hora” para o curto e grosso “umbora”.
A outra possibilidade é a mais difundida e mais romântica. São produzidas na Alemanha no mês de dezembro, cujo frio é caprichoso. Seu vínculo estaria ligado ao fato de que o signo do mês de dezembro é capricórnio tendo como imagem símbolo um bode (bock em alemão). Exatamente por isso que, na maioria dos rótulos de uma bock bier, um ou mais bodes se fazem presentes.
E em relação ao estilo? Ora, produzidas no inverno, são, no geral e à exceção da Weizenbock, cervejas do estilo lager, mais maltadas e com teor alcóolico mais elevado para aquecer os cervejeiros durante o inverno rigoroso europeu. Partem de 6% de álcool das Bock chegando aos inacreditáveis 14% de álcool de uma Eisbock. Fato interessante é que as Eisbock são uma Doppelbock que sofrem congelamento para se conseguir aumentar esse teor alcóolico, gerando uma cerveja muito maltada, sem espuma (pouco carbonatada), com um corpo elevado lembrando bastante um licor junino.
Temos vários exemplos disponíveis no Brasil, seja da Alemanha ou como as fabricadas por aqui. A Baden Bock foi uma das pioneiras no país. Outros exemplos clássicos: Paulaner Salvator e Ayenger Celebrator (que são Doppelbocks), Anchor Bock e Aventinus Eisbock.
O inverno no Brasil não é tão intenso quanto o europeu, porém esse período é o melhor momento para poder desfrutar de cervejas desse estilo que possuem, além de muita qualidade, uma verdadeira aula de história, mitologia e geografia.

Larissa Dantas é Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos pelo Instituto de Cervejas Brasil

Festival Brasileiro da Cerveja

por Larissa Dantas

No último mês de março ocorreu em Blumenau-SC, pelo décimo ano seguido, o Festival Brasileiro da Cerveja. Momento de premiação para as melhores cervejas e cervejarias do país bem como de lançamento de novidades e congregação do espírito cervejeiro brasileiro.
Participaram do evento cervejeiros, especialistas do ramo e consumidores que tiveram mais de 800 rótulos disponíveis em aproximadamente 130 stands na Feira Cervejeira. Quem participou aproveitou também uma rica programação cultural, de palestras e ciclo gastronômico. O tema harmonização parece ter sido o principal do evento.
Um dos principais momentos e o ponto forte do festival está na premiação. Os jurados recebem inúmeras amostras de cervejarias de todo o país para degustar, analisar e premiar as melhores dentro de cada estilo.
Infelizmente nenhuma baiana esteve sequer presente, apesar de algumas nordestinas representarem o lado de cá do país. Pelo cenário de nossa capital baiana, prevejo uma ou duas cervejarias que já despontam com grande trabalho, produzindo cervejas de elevado valor sensorial e qualidade como as cervejas da Cervejaria Nobres Companheiros e as da Cervejaria Mindubier. Desejo sorte para nossas cervejarias crescerem e se fazerem presentes não só no Festival Brasileiro da Cerveja bem como nos concursos mundo afora num futuro bem próximo.
Abaixo listo as cervejarias que foram premiadas no Festival e que já passaram pela história do Clube to Beer com algumas das suas melhores cervejas.
Cervejarias Premiadas que já passaram pelo Clube to Beer: Tupiniquim, Lohn Bier, Babel, Campinas, Roleta Russa, Backer, Imigração, Diefen Bros, Dama Bier, Berggren, Cevada Pura e Krug Bier.
É sempre um prazer estar junto com as melhores. Que nosso mercado cervejeiro evolua a cada ano com cervejas de qualidade.
Cheers

Larissa Dantas é Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos pelo Instituto de Cervejas Brasil

LIGTHSTRUCK – nome feio para aroma feio?

Cerveja é uma paixão nacional. Sem dúvidas. Das brigas em mesa de bar antigas entre brahmeiros x skolzeiros eis que surge mais um tipo de torcedor. O fanático pelas Heineken.
Possivelmente a Heineken é a cerveja do dia a dia de 8 a cada 10 bebedores de cervejas especiais. Seja pelo custo benefício ou pela atual facilidade de se encontrar nas gôndolas dos supermercados, a Heineken parece ser, junto às cervejas do estilo Weizenbier e de outras grandes nacionais como a Eisenbahn e Baden Baden, a porta de entrada para os fanáticos torcedores das American Lager em relação a adentrar no mercado de cervejas especiais.
O que muitos torcedores Heinekeiros acreditam é que aquele aroma e o retrogosto (sabor residual que permanece em boca após o gole) da breja é característico dela e, essa sensação, fornece todo o diferencial em relação às cervejas mainstream. Ledo engano.
A verdade é que essa sensação, que aparece apenas nas cervejas de garrafas de vidro claro, é um defeito na cerveja por conta de uma reação química entre a luz que passa pelo vidro mais claro e a subprodutos do lúpulo da própria cerveja. Conhecida no meio cervejeiro como lightstruck, os americanos associam esse aroma a cheiro de gambá, mas para nós brasileiros fica impraticável essa comparação.
Para tirar sua própria conclusão, na próxima vez que for ao mercado aproveite para fazer um teste: compre uma Heineken em lata e outra do famoso casco verde. Gele-as, abra as duas juntas e compare-as para perceber as diferenças de aroma que ambas exalam.
O aroma que aparece na garrafa, que parece deixar uma marca característica registrada na cerveja, um atributo sensorial marcante, na verdade, então, nada mais é do que um defeito que os cervejeiros buscam corrigir de forma simples ao se utilizar os famosos cascos escuros. Esse defeito aparece em qualquer outra cerveja que seja acondicionada numa garrafa que permita passagem de luz.
Porém mercadologicamente falando, qual mestre-cervejeiro convencerá o Diretor de Marketing de que aquela garrafa verde característica não ajuda, pelo contrário, prejudica, o desenvolvimento da cerveja?
Fato é que a Heineken é uma boa American Lager, muito à frente das mainstream nacionais, mas que peca na garrafa.
Agora tenta convencer o torcedor de mesa de bar disso…

Beba menos, beba melhor, beba no estilo.

Larissa Dantas é Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos pelo Instituto de Cervejas Brasil

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India Pale Ale para todos os gostos. Vamos?

por Larissa Dantas

O estilo Ipa é o preferido de 5 em cada 10 cervejeiros especiais no Brasil. Esse estilo data de meados do longínquo século XVIII na Inglaterra. Sua idealização ainda é controversa. A maioria prefere a versão romântica que sugere uma história de viagem às Índias e a necessidade de se “lupular” a cerveja para que ela conseguisse atravessar o Oceano chegando ao seu destino sem estragar. Até porque já se sabe, desde o século XII via relatos da monja beneditina alemã Hildegarda De Bingen, que o lúpulo tem propriedades conservantes e bacteriostáticas.
Apesar de ser fortemente consumida no Brasil e possuir tantos anos de história, os brasileiros preferem o estilo americano no lugar do inglês. E o que difere um do outro? Simples: o próprio lúpulo! Os ingleses utilizam quantidades de lúpulo menores e que contribuem com o equilíbrio da cerveja gerando um amargor médio a médio alto com um aroma mais terroso. Já o estilo americano ganha doses exageradamente deliciosas de lúpulos provenientes da terra do Tio Sam, ou seja, lúpulos cítricos e frutados.
Além disso, os americanos se especializaram em pesquisar, inovar e fabricar ipas diferentes com o fermento Conan que trouxe características novas tanto no visual quanto no sabor. São as New England India Pale Ale (NEIPA) também conhecidas como Juicy Ipa ou Vermont Ipa.
Fato é que as English Ipas são estilosas, clássicas, equilibradas e que remetem a história. Já as americanas remetem a inovação, amargor e explosão de aromas.
Na dúvida, leva uma de cada.
Saúde! Cheers!
Larissa Dantas é Sommelier de Cervejas e Mestre em Estilos pelo Instituto de Cervejas Brasil

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Tradição é com ela!

por Larissa Dantas

Existem quatro grandes escolas cervejeiras: a alemã, a inglesa, a belga e a americana.
Geralmente quando citamos as escolas cervejeiras fazemos exatamente nessa ordem e o motivo é um só: a tradição.
Não se pode julgar qual a melhor escola, já que isso depende demais do paladar de cada cervejeiro, mas podemos dizer que a escola cervejeira alemã é a mais tradicional, que possui mais tempo sendo reproduzida, aquela que se gaba por ter o registro de documento mais antigo em se tratando de bebidas e aquela que mais valoriza seu produto local.
Entre lagers e ales, os estilos são inúmeros e a as cidades vizinhas da Alemanha brigam entre si para produzir a breja de maior qualidade o que, dentro dessa disputa, sempre sobressai mais qualidade. E elas brigam mesmo, a rivalidade é enorme! Cada vila, na verdade cada vilarejo, possui a sua pequena cervejaria e suas brejas são consumidas aos litros ao longo do ano. Imaginem durante o festival Oktoberfest?!
A verdade é que a Alemanha possui o maior tempo de produção da cerveja, o documento mais antigo relacionado a uma bebida (REINHEITSGEBOT – A Lei da pureza Alemã, datada de 1516), o maior festival de bebida do mundo (o OKTOBERFEST), a primeira a descobrir e desenvolver o estilo lager, uma enormidade de cervejarias em seu território e é um dos maiores produtores e consumidores do mundo.
Apesar de todas essas boas características, a escola alemã continua capitaneada pela lei da Pureza, onde somente pode ser usada na composição da cerveja a água, malte, lúpulo e levedura, o que faz com que as outras três escolas estejam constantemente renovando, pesquisando, misturando e fornecendo ao mercado mundial cervejas com grande padrão de qualidade, mas que gera novas sensações devido aos insumos usados.
O que importa é aproveitar o de melhor que cada escola cervejeira tem a oferecer!
Harmonize agora com as tradicionais e excelentes cervejas alemãs.
Cheers! Saúde!
Larissa Dantas